Até agora nada de Catharina Sour

Santa Catarina precisa respirar o estilo criado no Estado

Pronto! Lá vem um título polêmico. Mas calma lá pessoal, vou explicar. Na verdade escolhi esse título por ter usado essa frase numa rede social quando estava recentemente em uma viagem à Santa Catarina.

A frase causou um certo “reboliço” e algumas pessoas chegaram a me dizer: “Você que está indo nos lugares errados”, “Você precisa ir numa tap house”, coisas assim.
Pois bem, e foi por isso mesmo que decidi escrever um artigo explicando o real motivo do que falei.

Em primeiro lugar, é bom ficar claro que essa não é uma crítica ao estilo Catharina Sour, já teci alguns comentários em artigos anteriores e até mesmo em entrevista para um jornal sobre o assunto. Em segundo lugar: Sim! Eu sabia onde encontrar uma boa Catharina Sour, mas não é essa a questão.

O que me motivou a escrever, foi o fato de ter ido à Santa Catarina na semana seguinte ao reconhecimento do estilo pelo BJCP (Beer Judge Certification Program) e não ter sentido aquele clima de comemoração.

Passei por Blumenau, município onde a Catharina Sour foi criada. A minha expectativa era a de ver uma cidade respirando a novidade. Um lugar onde as pessoas pudessem se orgulhar da conquista, onde a cerveja pudesse ser encontrada em qualquer lugar.
Parece exagero meu? Talvez não.

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Desde que ouvi sobre esse desejo da Catharina Sour ser reconhecida, um dos principais argumentos foi o de que esse seria um estilo com a cara de um país tropical, de um lugar quente, para ganhar a simpatia do público em geral.

Vou dar um exemplo recente do que aconteceu em Campos do Jordão. A cidade se orgulha de ter feito a primeira cerveja genuinamente com lúpulo brasileiro. Até tenho minhas dúvidas se realmente foi a primeira, mas o marketing em cima do assunto foi forte na cidade. Faixas, propagandas em relógios públicos, outdoors, tudo isso mostrando o orgulho para os moradores e a quem mais visitasse o local.

Fiquei tão motivado para experimentar a novidade que fui até a fábrica comprar a tal cerveja. Surpresa: Não existia mais nenhum exemplar. Pouco mais de 1 mil litros foram produzidos, mas não sobrou nenhum! Mesmo assim, estava ali o marketing reforçando o grande lançamento.

Em Blumenau, vários bares e restaurantes sequer tinham uma Catharina Sour no menu. Entrei em um supermercado. Encontrei uma variedade enorme de cervejas. IPAs, Porters, Witibiers, mas nada daquela que deveria ser a querida da cidade.

Um bom estilo se faz com tradição e com o apoio popular. Em Munique qualquer um sabe que a Helles é um patrimônio local. A Bohemian Pilsner é uma unanimidade na República Tcheca. Não há uma esquina em Berlim que não faça menção à Berliner Weisse.

Era disso que estava falando. De fazer o estilo crescer por si só, sem a necessidade de fazer muita política pra aprová-lo às pressas.

Pense na cachaça brasileira. Ela só foi reconhecida internacionalmente em 2013, mas antes disso já era aceita pelo povo como um produto genuinamente a cara do Brasil. Você nem precisava beber pra saber que a pinga era nossa e pronto. Isso é criar uma cultura, uma tradição.

Aos fabricantes de Santa Catarina, que brigam no dia-a-dia nesse eterno Fla-Flu cervejeiro para receber o devido reconhecimento, deixo aqui uma dica: Faça a lição de casa, venda o produto dentro do estado, mas faça isso fora das camadas elitizadas de sommeliérs e cervejeiros.

Ganhe a simpatia da população. Venda a marca. Crie uma tradição e um orgulho. Pode ser o primeiro estilo brasileiro? Sim. Mas antes, que seja o primeiro estilo genuinamente catarinense.

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