O engajamento de Patrícia Sanches

Para ela, o meio cervejeiro ainda mantém o machismo cultural, mas acredita na representatividade feminina para mudar tudo

Patrícia Pereira da Silva Picelli Sanches. O nome comprido condiz muito bem com a quantidade de atividades da cervejeira: Enfermeira, empresária, professora, sommerlier de cervejas, técnica cervejeira… ah! E mãe de um garotinho nascido há poucos meses. Tanta obrigação assim deve deixar qualquer um louco, não é verdade? Mas não Patt Sanches (como gosta de ser chamada). Apesar da quantidade de atividades, ela mantém o jeito calmo de falar e sempre com um sorriso no rosto.

A vida cervejeira começou com o Marido, Luiz Picelli, que começou a produzir cerveja em casa. “Na época eu só ajudava ele, aí decidimos fazer cerveja para o nosso casamento. Mas, como ele ia viajar, não ia conseguir fazer tudo o que precisava”, revela Patrícia. “Então eu mesma assumi as panelas e de lá pra cá não larguei mais”.

Na época, o casal fazia cerveja apenas para consumo próprio. Foi quando começaram a participar de concursos e ganhar prêmios de nível nacional. Com essa exposição, muitas pessoas passaram a procurá-los para querer comprar as cervejas. “Após uma lua de mel cervejeira pela costa litorânea visitando cervejarias a bordo de um motorhome, decidimos construir a nossa própria fábrica”, relembra.

Foi aí que nasceu a cervejaria Patt Lou, localizada em 3 terrenos na zona rural do município de Vitória de Santo Antão, interior de Pernambuco. Uma das características é o nome criativo das cervejas. “Sempre com a temática do bairrismo ‘arraigado’ pernambucano”, afirma a cervejeira.

Para Patrícia, que tem como objetivo disseminar a marca de cerveja em toda a região Nordeste, o mercado cervejeiro ainda se comporta de forma sexista. Ela, que participa de uma confraria feminina com 3 anos de atuação, acredita que o machismo no meio é cultural mas que, com muita insistência e representatividade, será possível alterar essa realidade. “Já mudamos muita coisa aqui em nosso estado, mas essa luta toda ainda representa apenas 10% do que temos de enfrentar pela frente”, revela. A confraria em já oportunizou o emprego para muitas mulheres na área da cerveja, mas os relatos de assédio, desrespeito e desconfiança, ainda são grandes.

Patricia ri quando pessoas associam a atividade de cervejeira mulher com carregar sacos de malte de 20kg, 50kg. “Ninguém pensa nisso quando temos que carregar nossas crianças que pesam tanto quanto”, hironiza. “O que poucos sabem é que numa cervejaria também precisa de massa cinzenta! Cerveja é ciência, serviço, produção, designer, marketing, logística… enfim… são tantas atividades”. Apesar de tudo isso, ela diz que não sofre tanto com os efeitos do machismo diretamente por ser dona da própria fábrica, mas comenta que já ouviu relatos desrespeitosos de pessoas mais próximas a ela ou de colegas de profissão. “Mas pra não passar ilesa, algumas pessoas acreditam que o Luiz construiu a cervejaria sozinho”, brinca.

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2 comentários em “O engajamento de Patrícia Sanches

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  1. Matéria lindaaaa. Tema super importante. Obrigada Ivan pelo espaço e pelo interesse na causa. Um dia consigo te dar um abraço Beem grandão. Bjs lupulados!

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