Afinal: Por que Magic Booze incomoda?

O Mondial de la Bière terminou, mas para algumas pessoas, ele está longe de ser esquecido. Não pelos lançamentos de cervejas sensacionais espalhados pelos stands do Espaço Arca. Também não pelos rótulos premiados com medalhas no concurso MBeer Contest Brazil 2019. Tampouco pelas atrações do Crafter Village, com seus queijos maravilhosos, cafés, kombuchas e Gins. A vedete do fim do “rolê” foi uma só: o Magic Booze.

De uma hora para outra centenas de pessoas começaram a espalhar nos mais diversos grupos de WhatsApp e em outras redes sociais o mesmo vídeo, comandado pela sommelièr , especialista e jurada do reality show ‘Academia da Boa’, Carol Oda. A coisa começou a ficar séria, quando comecei a receber de pessoas aleatórias, não mais do meio cervejeiro (até meu pai enviou pra mim, mesmo eu estando lá no local conferindo ao vivo a novidade). Memes surgiram brincando com a possibilidade de somar o produto com outros, dando resultados diferentes. Foi aí que tive a real noção da dimensão que o assunto tomou .

Mas o que incomoda tanto no Magic Booze, a ponto de ele entrar nos trend topics cervejeiros? A resposta poderia estar no nosso total despreparo por receber mudanças propostas por quem é nosso compatriota (o famoso santo de casa não faz milagre)? Uma rápida busca pela internet e você vai encontrar inúmeras iniciativas de mosto concentrado à venda em outros países. Todas elas com o mesmo propósito: trazer para o copo um tipo de cerveja instantânea. Mas por que quando saí de nossa casa, isso se torna tão polêmico?

Para alguns, esse incomodo poderia estar relacionado ao medo do que possa vir por aí. Será que a cerveja rápida, vai substituir o produto como o conhecemos? Seria o Magic Booze um concorrente das cervejarias?

Outros dizem achar engraçado o produto e fazem comparação com outras inovações igualmente polêmicas como o Dupappi, extrato de lúpulo lançado há cerca de um ano e que promete aumentar o amargor e o aroma das cervejas mainstream.

É certo que, ao tecer qualquer crítica sobre o assunto, precisamos, antes de mais nada, fazer duas coisas importantes: A primeira é experimentar! Não há como falar de tema de forma isenta sem ter se relacionado com ele. A segunda é entender os conceitos, objetivos e possibilidades de uso.

Em relação ao primeiro, sim, eu experimentei! Gostei? Não necessariamente, mas não vi grandes problemas assim na fórmula. O ritual para o serviço foi bem interessante. O empresário José Virgílio Braghetto, fundador da Cervejaria Pratinha e mentor do produto, pegou um copo vazio, adicionou o sache e logo depois despejou 200 ml de água (de forma bem despretenciosa mesmo). Imediatamente se formou uma bela espuma.

Ao experimentar, um leve aroma de lúpulo me remetendo mais ao herbal, nada muito forte, afinal se tratava de uma English IPA. No sabor, algo sim que lembrava uma cerveja meio jovem, a carbonatação estava um pouco baixa, afinal ela advinha do uso de água com gás. O amargor estava bem baixo, confesso que esperava um pouco mais. Um dulçor residual de mosto era ali o principal elemento percebido.

Quanto aos conceitos, objetivos e possibilidades de uso, é bem difícil definir uma vez que isso já deva estar na cabeça de José Vergilio, mas notei um bom potencial, se bem pesquisado, melhorado e aplicado. Acredito que nos próximos anos isso deva acontecer. Me lembrei de outras iniciativas fast food ou fast drink que foram criadas e não substituiram em nada o que sempre foi bom.

O café instantâneo jamais substiutiu o bom e velho cafezinho (aliás, vemos surgir movimentos em prol de variedades, blends, fermentação e serviços que nos fazem cair o queixo). O MC Donalds não pode ser comparado ao bom e velho hamburger artesanal. Dupappi jamais vai limitar a venda de IPAs. Miojo não eliminou a macarronada maravilhosa do tradicional restaurante Família Mancini.

Do meu ponto de vista, vejo algumas iniciativas que podem acontecer: Com o espaço reduzido nas aeronaves, seria o Magic Booze um produto adequado para ser oferecido em vôos? Que tal então fazer como as famosas máquinas de refrigerantes instaladas em todos os shoppings. Isso seria ótimo para otimizar o armazenamento, além de oferecer uma variedade bem maior de estilos.

Ou então, como disse um amigo: “O Magic Booze é uma ótima opção para quem vai acampar e não quer ficar levando peso”. Sei lá, posso ser sonhador ou então otimista? Talvez. Estamos longe disso acontecer? Acredito que sim. Mas uma coisa eu jamais vou deixar de acreditar: Grandes mentes não agem conforme a demanda… elas é quem criam essa demanda.

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3 comentários em “Afinal: Por que Magic Booze incomoda?

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  1. O processo pode ter aplicações interessantes, mas a Lógica da economia de espaço não justifica. Ae vc precisa adicionar água, gelada ainda por cima, então leve a mesma quantidade da cerveja pronta, senão vc só terá um serviço a mais e terá que carregar a água e a o extrato.

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